quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Nunca é tarde!

                                            

Um suave, porém tóxico cheiro, misturado de essências adocicadas com química inundou minhas narinas.Sentia meu peito subir e descer buscando por um pouco de oxigênio e enviando-o diretamente ao meu pulmão, o qual suplicava por isso, dolorosamente, e meus ossos pareciam estralar a pequenos movimentos alheios que eu tentava fazer.O colchão sob meu corpo era confortável, porém o pequeno lençol cobrindo minha pele era leve e fino como papel.
Abri meus olhos e espiei em volta.Onde eu estava?No primeiro momento cheguei à conclusão que estava em um quarto, e no segundo supus que poderia ser um quarto de hospital, mas à medida que minha visão turva tornava as formas mais nítidas pude observar os tons mesclas entre creme e vinho, com móveis mogno elegantes, simples, que transpassavam a passagem de tempo, contido em cada detalhe.
Um suave suspirou escapou por meus lábios, ergui-me sobre o colchão sentindo pontadas agudas na cabeça,e enquanto esfregava a testa, perguntava-me que lugar era aquele ou por que estava ali.Uma parte estava aliviada por não acordar ao meio de uma UTI, outra tensa por que não recordar nada sobre aquele local. A suave canção que chegou aos meus ouvidos acalmou meu ser, mandando um vital relaxamento que jamais pudera sentir na vida, ou ao menos me lembrava.As lembranças removiam-se como redemoinhos em minha mente, rápidas e confusas para que pudesse assimilá-las.E quando um aroma tornou-se mais forte, pude ouvir delicados sinos, como canecas chocando-se umas nas outras, e percebi que o cheiro devia-se ao que estava aproximando e os remédios ao meu lado.E então alguém adentrou ao quarto surrando as últimas letras da música, algo como; “Quando eu não estou com você, é como se eu não estivesse comigo”.E então, outra pontada na cabeça.Engraçado! Foi exatamente assim que me senti ao olhar aqueles olhos cinzas e os cabelos loiros bagunçados.Que homem era esse?! Arfei.-Oh! Você acordou! Ótimo! – Ele sorriu carinhosamente enquanto depositava a bandeja com torradas e café sobre meu colo. – Como se sente?
-Minha cabeça dói.O que...Aconteceu? – Ele estava corando? Inutilmente, eu tentava recordar algo que pudesse levar-me a entender quem era aquele rapaz e o que estava acontecendo.Mas as imagens que perpassavam era grandes borrões, e outras coisas que sequer encaixavam-se.
-Querida, eu tentei fazer uma pequena surpresa.-Ele fechou os olhos, triste.-Não fique brava.Eu só estava tentando consertar as coisas, eu queria me desculpar.E então você saiu furiosa,e acabou rolando escada abaixo,sim,eu sei,sou culpado,mas eu não suportava mais essa tensão entre nós,eu não quero mais brigar com você.Você pode ir embora, mas, ao menos deixe que eu explique as coisas...-Resignou-se.
-Briga? Surpresa? Sobre o que você está falando?
-Amor.Houve um desentendimento entre nós, ou acaso esqueceu-se de nossa discussão?
-Deus! – Senti meu estômago embrulhar, enquanto minha cabeça girava.- Eu preciso de ar.Eu preciso sair um pouco e respirar, com licença...-Deixando a bandeja de lado e com impulso, levantei da cama e caminhei pelos corredores desconhecidos. “Espera. Eu vou com você!” Escutei, e logo passos me seguiam. Talvez uma companhia, mesmo estranha, fosse boa, e o esquisito era sentir que ele não faria mal algum a mim.
- O que está acontecendo? – Ele perguntou guiando-me pela casa até a porta da frente, por onde observei, estava chovendo.Mas não importava, eu só queria sair, e assim o fiz.Senti o guarda-chuva que ele carregava postar-se acima da minha cabeça, e não reclamei.O resto do caminho foi silencioso até chegarmos em um parque, no qual eu debrucei-me no corrimão de uma ponte. “Quem é você?” –Murmurei.O choque em seu rosto foi agonizante, e tristemente ele respondeu que era um amigo, ou namorado, como eu preferisse.A sensação de formigando percorreu minhas entranhas.”Foi nessa ponte, eu tentei pedir desculpas e ...”-O jovem tirou uma caixa de veludo do bolso.Eu havia entendido. “Aceito” –Sorri, vendo-o engasgar. “Eu não lembro sobre você, mas tenho sensações sobre você, e são boas, sinto que posso confiar. Além disso, seja lá qual foi o motivo da briga, é passado,e se agora eu não lembro,então era boba.Estou feliz,a falta de memória fez-me repensar nas coisas,talvez eu tivesse tomado atitudes erradas se ao menos recordasse.E eu não recordo nada e nem quero,muito melhor assim,não ter lembranças ruins! Assustei-me quando o guarda-chuva caiu aos meus pés,e braços fortes e carinhosos tão desconhecidos e ao mesmo tempo conhecidos rodearam meu corpo.Um delicado pedido de desculpas seguido de um “Eu te amo” fizeram trilhas pelo meu ouvido,e eu retribui o abraço. “Eu vou lembrar de tudo,principalmente de você.Só precisa paciência, você tem?”, comentei e ri. Um murmúrio baixo “faço esse sacrifício” deslizou pelo ar,e ficamos naquela posição curtindo nosso tempo.Não houve beijo,entendi que ele queria me dar o tempo para que eu acostuma-se aquela idéia.E eu gostei da gentileza.


Pauta escrita por Jéssica,para o Projeto Bloínquês.
55ª Edição Conto/História.
57ª Edição Musical
57ª Edição Visual

1 recadinhos:

. pamela moreno santiago disse...

aeeee
até que enfim postou
SHUAHSUHUAHUSH

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