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quarta-feira, 9 de março de 2011

Without Choice


O terço pendia entre seus dedos, balançando suavemente quando cruzava suas mãos o qual serviam de apoio para o rosto, e o vestido cuidadosamente trabalhado arrastava-se pelo chão enquanto buscava por uma posição confortável para os seus joelhos.Murmurando baixinho, proferia rezas para alcançar a paz interior, seu corpo tremia suavemente afetado pelas emoções, numa contagem regressiva à espera das lágrimas que prontamente jorrariam de seus globos oculares.
Não era para isso acontecer.Por que o destino tinha que ser tão cruel?
A profunda e autoritária voz de seu pai, ainda rondava por sua cabeça perfurando seus tímpanos, espalhando em por sua alma dor e solidão.
“O casamento já está marcado e os convites distribuídos, nunca erro nas minhas escolhas e não pretendo começar agora”, seu pai ultimou, e em seguida um audível “Sim, senhor” preenche o ambiente.Reconhecia aquela voz, o desgosto por descobrir tal pretendente era imenso, tanto, que por pouco não invadiu a sala despejando palavras ferinas em direção ao seu pai. Supunha ela, aquele era Marc, o homem o qual cortejava sua irmã com palavras de amor puro.Como ousava? “Quem dera ao menos uma vez provar que quem tem mais do que precisa ter quase sempre se convence que não tem o bastante. Fala demais por não ter nada a dizer”. Era o que queria pronunciar em voz alta para que todos ouvissem, já não bastava sua irmã, precisava dela também.
5506839062_320c43c937_z_large“Deus, perdoe-me”.Exprimiu com um suspiro.A ponta da lâmina presa sob o corpete feria sua delicada pele. “Eu não posso permitir isso. Eu não o amo”. E enquanto erguia-se, observou a cruz cujo filho de Deus estava pregado e fez o sinal da cruz.
Porém antes que pudesse abandonar o recinto, uma mulher com trajes esfarrapados, caminhou pelo corredor acompanhada de uma criança em direção a Jesus.
“Senhor” – Ouviu a mulher sussurrar. “Veio aqui em busca de um milagre. Sei que talvez não seja digna do seu perdão, mas, por favor, permita que meu filho possa crescer e ser tornar algo que eu nunca fui...” -Um soluço ocupou o ambiente.- “Sua doença agrava-se dia mais, dia menos e sequer tenho dinheiro para levá-lo a um médico. Não sei mais o que fazer...”.
Claire segurou com força da bainha da faca.E caminhando lentamente rumo à senhora, entregou-lhe um saquinho contendo uma boa quantia de moedas de ouro.Sorriu carinhosamente, voltando-se para examinar a cruz. “Eu quis o perigo e até sangrei sozinho. Entenda! Assim pude trazer você de volta para mim. Quando descobri que é sempre só você que me entende do início ao fim”. Imediatamente uma sensação de arrependimento apossou-se de meu ser, e percebi o quanto estava sendo ignorante.Eu tinha problemas, mas não era a única, além disso, sempre haveria alguém numa situação pior e enfrentando com garra e determinação. Jesus, o próprio, enfrentou, por nós, então deveríamos ser fortes e enfrentar os nossos problemas.
“Não vale” – Lamentei. “Você abusou do meu estado emocional”.– fiz um pequeno beicinho, e sem demora parti em direção ao meu lar.
A surpresa chegou quando ao adentrar o hall, alguém se lançou ao meu corpo.
“Irmãzinha querida, senti sua falta” – Percebi um chumaço de cabelos negros e compridos e alisei-os.
“Eu também”. Marie em casa? Pensei que estivesse em Paris.
E as surpresas seguiram-se ao notar que meus pais, Marc e Daniel – o meu verdadeiro amor.- sentados nos luxuosos sofás da sala.Minha irmã Marie, prontamente arrastou-me em direção ao sofá próximo a Daniel, cujo sorriu para mim.Não pude evitar sorrir em resposta.
“Claire,querida,temos ótimas notícias.” –Marie segurou minhas mãos,a sensação de enjôo assumiu o controle e uma sombra escura pairou sobre meu rosto.A verdade estava chegando.Mas porque Daniel estava aqui? –Marie ofegou alegremente e prosseguiu. – “Marc,finalmente criou coragem e...” – O ar ficou tenso. “Pediu minha mão, em casamento!” –Marie gritou extasiada.
“O-Oque?” –Senti o ar faltar.Então, eu estava enganada? Senti como minhas bochechas ergueram-se num sorriso.
“Sim. E junto com ele, Daniel fez sua parte!” –E então, o rapaz mencionado estava a minha frente, ajoelhado.
“Claire,aceita casar-se comigo?” Uma forte exclamação fugiu por meus lábios e quando dei por mim,já estava agarrando-o em um abraço.
“Sim! Sim, eu aceito!” –Não percebi as lágrimas escorrendo no rosto de minha mãe, e meu pai discretamente tentando limpar as suas.Estava ocupada demais beijando meu futuro marido.
“Quem me dera ao menos uma vez acreditar por um instante em tudo que existe. E acreditar que o mundo é perfeito. Que todas as pessoas são felizes...”.
Talvez não haja perfeição, mas eu aprendi que para se ter à felicidade, é necessário buscá-la. Arrepio-me ao imaginar o que teria feito caso aquela mulher não tivesse entrado na igreja, entretanto nesse momento,é algo para deixar para trás,simplesmente esquecer.A minha felicidade chegou,e como tal vou aproveitá-la.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Nunca é tarde!

                                            

Um suave, porém tóxico cheiro, misturado de essências adocicadas com química inundou minhas narinas.Sentia meu peito subir e descer buscando por um pouco de oxigênio e enviando-o diretamente ao meu pulmão, o qual suplicava por isso, dolorosamente, e meus ossos pareciam estralar a pequenos movimentos alheios que eu tentava fazer.O colchão sob meu corpo era confortável, porém o pequeno lençol cobrindo minha pele era leve e fino como papel.
Abri meus olhos e espiei em volta.Onde eu estava?No primeiro momento cheguei à conclusão que estava em um quarto, e no segundo supus que poderia ser um quarto de hospital, mas à medida que minha visão turva tornava as formas mais nítidas pude observar os tons mesclas entre creme e vinho, com móveis mogno elegantes, simples, que transpassavam a passagem de tempo, contido em cada detalhe.
Um suave suspirou escapou por meus lábios, ergui-me sobre o colchão sentindo pontadas agudas na cabeça,e enquanto esfregava a testa, perguntava-me que lugar era aquele ou por que estava ali.Uma parte estava aliviada por não acordar ao meio de uma UTI, outra tensa por que não recordar nada sobre aquele local. A suave canção que chegou aos meus ouvidos acalmou meu ser, mandando um vital relaxamento que jamais pudera sentir na vida, ou ao menos me lembrava.As lembranças removiam-se como redemoinhos em minha mente, rápidas e confusas para que pudesse assimilá-las.E quando um aroma tornou-se mais forte, pude ouvir delicados sinos, como canecas chocando-se umas nas outras, e percebi que o cheiro devia-se ao que estava aproximando e os remédios ao meu lado.E então alguém adentrou ao quarto surrando as últimas letras da música, algo como; “Quando eu não estou com você, é como se eu não estivesse comigo”.E então, outra pontada na cabeça.Engraçado! Foi exatamente assim que me senti ao olhar aqueles olhos cinzas e os cabelos loiros bagunçados.Que homem era esse?! Arfei.-Oh! Você acordou! Ótimo! – Ele sorriu carinhosamente enquanto depositava a bandeja com torradas e café sobre meu colo. – Como se sente?
-Minha cabeça dói.O que...Aconteceu? – Ele estava corando? Inutilmente, eu tentava recordar algo que pudesse levar-me a entender quem era aquele rapaz e o que estava acontecendo.Mas as imagens que perpassavam era grandes borrões, e outras coisas que sequer encaixavam-se.
-Querida, eu tentei fazer uma pequena surpresa.-Ele fechou os olhos, triste.-Não fique brava.Eu só estava tentando consertar as coisas, eu queria me desculpar.E então você saiu furiosa,e acabou rolando escada abaixo,sim,eu sei,sou culpado,mas eu não suportava mais essa tensão entre nós,eu não quero mais brigar com você.Você pode ir embora, mas, ao menos deixe que eu explique as coisas...-Resignou-se.
-Briga? Surpresa? Sobre o que você está falando?
-Amor.Houve um desentendimento entre nós, ou acaso esqueceu-se de nossa discussão?
-Deus! – Senti meu estômago embrulhar, enquanto minha cabeça girava.- Eu preciso de ar.Eu preciso sair um pouco e respirar, com licença...-Deixando a bandeja de lado e com impulso, levantei da cama e caminhei pelos corredores desconhecidos. “Espera. Eu vou com você!” Escutei, e logo passos me seguiam. Talvez uma companhia, mesmo estranha, fosse boa, e o esquisito era sentir que ele não faria mal algum a mim.
- O que está acontecendo? – Ele perguntou guiando-me pela casa até a porta da frente, por onde observei, estava chovendo.Mas não importava, eu só queria sair, e assim o fiz.Senti o guarda-chuva que ele carregava postar-se acima da minha cabeça, e não reclamei.O resto do caminho foi silencioso até chegarmos em um parque, no qual eu debrucei-me no corrimão de uma ponte. “Quem é você?” –Murmurei.O choque em seu rosto foi agonizante, e tristemente ele respondeu que era um amigo, ou namorado, como eu preferisse.A sensação de formigando percorreu minhas entranhas.”Foi nessa ponte, eu tentei pedir desculpas e ...”-O jovem tirou uma caixa de veludo do bolso.Eu havia entendido. “Aceito” –Sorri, vendo-o engasgar. “Eu não lembro sobre você, mas tenho sensações sobre você, e são boas, sinto que posso confiar. Além disso, seja lá qual foi o motivo da briga, é passado,e se agora eu não lembro,então era boba.Estou feliz,a falta de memória fez-me repensar nas coisas,talvez eu tivesse tomado atitudes erradas se ao menos recordasse.E eu não recordo nada e nem quero,muito melhor assim,não ter lembranças ruins! Assustei-me quando o guarda-chuva caiu aos meus pés,e braços fortes e carinhosos tão desconhecidos e ao mesmo tempo conhecidos rodearam meu corpo.Um delicado pedido de desculpas seguido de um “Eu te amo” fizeram trilhas pelo meu ouvido,e eu retribui o abraço. “Eu vou lembrar de tudo,principalmente de você.Só precisa paciência, você tem?”, comentei e ri. Um murmúrio baixo “faço esse sacrifício” deslizou pelo ar,e ficamos naquela posição curtindo nosso tempo.Não houve beijo,entendi que ele queria me dar o tempo para que eu acostuma-se aquela idéia.E eu gostei da gentileza.


Pauta escrita por Jéssica,para o Projeto Bloínquês.
55ª Edição Conto/História.
57ª Edição Musical
57ª Edição Visual

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Mesas de um Bar.



Talvez fosse o 3º copo, não tinha certeza.Mas quem se importava? Eu por enquanto, não.
Gostava de sair durante a noite, principalmente, sexta-feira.O dia seguinte, não tinha nada importante e a cama convidativa seria minha até o entardecer.Uma cama de casal, só minha, afinal, já fazia um bom tempo que não a dividia, com ninguém.
Sentia meus dedos deslizando na superfície lisa do copo, mas, meus olhos seguiam os movimentos ágeis de uma mão sobre folhas brancas.Era um rapaz.Muito bonito, por sinal.Estava desenhando alguma coisa, apesar da distância, era nítido os movimentos circulares, o sobe-desce, muito bem delineado para uma simples escrita.
Constantemente sua presença era notável naquele bar charmoso, todas as sextas, dezoito horas, com caderneta e o estojo, em seguida acompanhado de uma dose de vinho.Sorri ao imaginar o que um homem tão bonito estaria fazendo naquele lugar, sozinho, quando a sexta-feira é o um dia digno de “solteiros à procura”, não que estivesse buscando, mas não queria embrenhar-se entre casais e beijos para torna-se uma vela ambulante.
Num breve momento de audácia chamei o garçom e pedi que oferecesse aquele rapaz uma bebida por minha conta, um ato muitas vezes iniciado por um homem na tentativa de atrair a mulher, eu sabia disso e o garçom também, -sua expressão de espanto era claramente visível - mas esses tempos estavam ficando para trás.Ele assentiu e dirigiu-se ao jovem surpreendendo-o, que ergueu seu olhar confuso e que procurou pelo recinto a causa do ocorrido, seu olhar encontrou o meu e o garçom prontamente confirmou sua dúvida, e então meus lábios contraíram-se em um sorriso para ele, e pude notar um ligeiro e discretíssimo rubor subir por suas bochechas.
Ele aceitou o pedido e conversou algo com o garçom, mas sua reação seguinte causou-se um leve susto, observei enquanto ele recolhia o material e vinha em minha direção, não pude evitar corar quando ele se aproximou da mesa sorrindo gentilmente.Não esperava por aquilo, sinceramente.
-Olá? – Sua voz suave, porém grossa, detonava insegurança.
-Olá.-Retribui o sorriso.
-Eu...Posso sentar? – Com um gesto indicou a cadeira à minha frente.
-Claro!Fique a vontade. – Tomei outro gole da bebida que jazia esquecida na minha frente.
-Gostaria de agradecer pela bebida, e perguntar se poderia lhe fazer companhia.Fico realmente grato, não é todo dia que uma linda mulher oferece bebida para mim, ou para um homem como eu.
-Uma companhia não está nada mal.Mas por que diz isso?! Sinceramente, você é muito bonito, me admiro que não receba cantada e e-mails todos os dias. –Ofeguei chocada.
Ele riu.
-Algumas mulheres sempre aparecem com segundas intenções, se é que você me entende.-Ele colocou o caderno sobre a mesa. –E eu não curto muito disso, gosto de conhecer a pessoa primeiramente. – O dedilhar dos seus dedos denotava vergonha.
-Entendo.Não fique assim, é questão de opinião, e se a pessoa não gosta problema é dela.-Revirei os olhos.-Mas posso contar algo que vai lhe surpreender?
-Por favor.
-Essa é a primeira vez que ofereço uma bebida a alguém, especialmente para um homem.-Ri com sua expressão incrédula.
-Verdade?!- Ele, admirou.
E então, eu ri mais ainda, enquanto o garçom trazia a bebida dele.
-Mas por que essa confiança com minha pessoa?
-Não consigo explicar, apenas fui com a sua cara.Por que a surpresa?
-Por que sinto honrado ao ser o primeiro homem que lhe acompanha em uma bebida.È verdade que não à vejo se relacionar com ninguém por aqui...
-Como sabe? – Cortei.
-Você não é a única que por acaso “foi com a cara de alguém”.–Indicou o gesto aspas com os dedos, rindo.
-Oh! Jura?! – Ele consentiu para mim.
-Não pude deixar de reparar.Você sempre está sozinha, bebendo algo, e totalmente perdida em seus pensamentos.Não vou mentir, quando a notei, imaginei várias maneiras de aproximar-me de você, mas a vergonha falava mais alto.Ou é pura sorte, ou muita coincidência você ter me oferecido uma bebida.
-Ou o jogo “vou desenhar para atrair a atenção daquela moça” funcionou.-Tampei a boca.- É brincadeira, você me atraiu pelos mesmos motivos que eu a você, um rapaz tão bonito perambulando por ai, sozinho.-Ele tomou um gole da caipirinha de saquê, para a minha perplexidade.Ele não gostava de vinho?Questionei-me. 
Ele riu,e em seguida observou-me– Mas o que chamou minha atenção, foi a sua confiança,sabe,eu poderia partir o seu coração.
-Não se pode partir um coração partido.-Sussurrei.
-E quem partiria o coração de uma bela mulher? – Observei ele pender a cabeça para o lado.
-Um insensível...-Hesitei.- Que me abandonou ao altar.-Abaixei a vista, impedindo que ele olhasse em meus olhos.
-Então, com o perdão da palavra, ele é um completo idiota.-O jovem balançou a cabeça em sinal de negação.
-É? – Arqueei minha sobrancelha observando-o.
-Sim! Por duas coisas.Primeira; Porque ele acabou de perder uma mulher maravilhosa. Segunda; Ele deu-me a oportunidade de te conhecer e quem sabe...Consertar seu coração.- Um sorriso malicioso desenhou-se em seus lábios, e eu sem resistir, gargalhei.
-Bom, por que não conta à história desde o início para que eu possa consertar e melhorar ao meu modo. –Continuou. – Sou Jhon, e você?
-Christine....Bem!!! Tudo começou com...


Pauta escrita por Jessica,Projeto Bloínquês - 55ª Edição Músical

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Um vôo inesquecível!

Pendia o livro entre meus dedos enquanto procurava por uma posição mais confortável para ler, a poltrona era confortável, entretanto o mínimo de luz dificultava minha leitura, e óbvio, ficar muito tempo numa única posição não era uma opção plausível.Meu único consolo, talvez fosse por estar sentado ao lado da janela.
Por instante minha visão desviou-se da leitura para observar a pessoa que sentava ao meu lado, era uma senhora, não era velha, porém os resquícios de fios brancos detonavam sua passagem de tempo avançada.Ela se ajeitou ao meu lado e talvez, por se sentir observada olhou para mim, presenteando-me em seguida com um sorriso.
-Bom dia, meu jovem!
-Bom dia.-Devolvi educadamente.
Ela passou seus dedos levemente enrugados pelos cabelos e suspirou, a aeromoça que estava andando entre as fileiras prontamente veio nos atender, pedi um Wisky com gelo e a senhora apenas um chá gelado.O silêncio prosseguiu, não era algo que incomodava, além disso, não sentia-me à vontade para puxar papo com uma desconhecida, logo, poderia prontamente voltar a ler, mas havia algo naquela senhora que estava deixando o ar tenso, e quando a aeromoça voltou com os pedidos, por frações de segundos notei um leve tremor em suas mãos ao levar o copo em direção aos lábios.
-A senhora está se sentindo bem? – Ela acompanhou com os olhos meus braços puxarem o copo com o wisky próximo ao meu corpo.
-Oh, sinto incomodá-lo, bom, como vou explicar...A verdade meu jovem, é que nunca andei de avião na minha vida.Essa será minha primeira vez.-E riu constrangida.
-Compreendo, mas não há com o que se preocupar, confesso que no início também fiquei pouco à vontade, mas hoje, isso já se tornou parte da minha rotina.
-Isso é bom! – Ela engoliu outro gole.- Mas devo confessar-lhe que um dos motivos pelo meu temor, é que tenho medo de alturas, e o outro seria camundongos, mas,acredito não haja esse tipo de problemas no avião.
-Sobre camundongos,nunca ouvi falar,agora sobre o seu medo,é uma outra história.Mas sem querer parecer impertinente, por que a senhora resolveu viajar de avião?
-Ah, meu querido.-Ela suspirou, e em seus olhos a felicidade e o carinho transbordaram.-Minha filha, minha linda garotinha vai se casar...Como passa rápido!Juro ter visto ontem, ela correr em meus braços para contar sobre o primeiro dia de aula.Mas decidiu com o futuro marido,realizar a cerimônia onde se conheceram,Roma.O que uma mãe na faz pela filha,hein?!
A situação no entanto ficou engraçada quando ela,então,percebeu que já estávamos planando no ar,provavelmente tenha sido os solavancos provenientes das turbulências,seu rosto por um instante atingiu uma palidez quase tornando-a um fantasma.Percebi que ela agarrou suas mãos nos descanso da poltrona, e respirou fundo.Eu sorri para ela, como tentando passar segurança e funcionou, no minuto seguinte ela estava admirando a paisagem pela janela.Idéia minha, para que ela apreciasse o lado positivo de atingir as alturas.
O que eu, sinceramente não esperava, era que um menino sentando na poltrona da frente retirasse da mochila uma gaiola com um rato, o qual ficou admirando.
-Acabo de perceber que não me apresentei, sinto tanto, sou Marie e você? – Ela estendeu a mão para mim.Parecia alheia com as coisas.
-Mike.-Segurei sua mão.
E então, aconteceu. Com um último tranco o avião pegou velocidade, e a gaiola caiu no chão, Maria viu algo branco e peludo correr para suas pernas e começou a gritar ao meu lado, tentando colocar as pernas para o alto.Tão rápido aconteceu, que desnorteado, chamei a aeromoça que tentou acalmar a senhora.
Passada algumas horas todos estavam rindo da situação, o menino conseguira recuperar o rato, mas por via das dúvidas, concordou –literalmente, foi obrigado a ceder- em deixar o animal no bagageiro junto com os outros,ciente de que nada aconteceria ao seu amado Igor,como a carinhosa aeromoça fez questão de assegurar.
De tantas, aquela havia sido minha melhor viagem, não pelo desespero da senhora, mas pela forma como tudo ocorreu e como todos brincaram pelo resto do caminho.De certa forma, era bom saber que no próximo encontro entre familiares, eu teria algo para contar.



                  Pauta escrita por Jessica,para o Bloínquês, 53ª Conto/História.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Cofusões entre nós!




O sino da igreja anunciava o início de um casório, todos estavam elegantes e felizes, afinal não é todo dia que se pode presenciar um casamento tão belo.Belo, talvez pela decoração onde lírios brancos e rosas contrastavam juntos, ou a igreja, que era muito bem adornada com a arquitetura romana e os diversos anjos pintados no teto.No entanto, em meio aquela alegria e paz, uma alma encontrava-se inquieta.
Ao som do órgão, os padrinhos e madrinhas se postaram em seus lugares, todos bem vestidos.Os homens em ternos negros, e as damas com vestidos no tom lilás, cada um diferente do outro, escolhido por opção pelas moças.
Robert ao canto, sendo o primeiro padrinho da noiva a entrar trocava o peso do pé de hora em hora, a noiva estava atrasada, mas, isso era tradição, no entanto, o que o incomodava era saber que logo sua querida e melhor amiga estaria nos braços de outro.E então começou, a marcha nupcial entrou com vigor e logo após a noiva acompanhada do pai adentrou o recinto, ela sorria e acenava a todos com seu simples, porém belo vestido.
Quando todos sentaram, o padre na presença dos noivos começou a recitar a bíblia e os dizeres famosos, porém ninguém esperou que Robert prontamente interrompesse a festa no momento que o padre anunciou “Fale agora, ou cale-se para sempre”. Suando frio, respirou fundo e caminhou em direção a noiva sob os olhares dos demais presentes.
-Posso falar com você por um minuto?-Sussurrou, em respeito ao ambiente.
Winona ergueu a sobrancelha desconfiada, e mordendo o lábio inferior pediu um tempo a todos os presentes, o padre apenas balançou a cabeça perplexo e o noivo sem querer contrariar, bufou.
Assim, com um buquê em uma mão e ponta do vestido na outra, Winona saiu da igreja acompanhada de seu padrinho.
- O que houve, Robert? – Havia preocupação em sua suave voz.
O rapaz não respondeu, apenas guiou-a pelo vasto campo, onde um uma leve declinação se sentaram.Bom, ela se sentou, por que o rapaz se esparramou no chão.
-Vai me dizer o que está acontecendo, ou vou ter que adivinhar? – Winona perguntou com uma fingida irritação, mas possuía um sorriso em seus lábios.
-Você nunca conseguiria adivinhar.Calma!Só estou tentando encontrar uma forma de explicar...-Robert suspirou.
-Por que acha que eu não conseguiria desvendar?Você sabe que sempre pude ler seus pensamentos.-Disse tom brincalhão.
-Não desta vez. –E então o silêncio reinou.Winona definitivamente estava começando a ficar preocupada.
-Robert, desembucha logo!
-A questão! – O jovem prontamente se sentou. –È que eu não posso deixar isso acontecer!
-O que?O casamento?Por quê? – Winona assustou-se com a repentina mudança de humor do melhor amigo.
-Porque eu não suportaria.-Robert abaixou a cabeça, os cabelos cobrindo seus olhos verdes.
-O que está dizendo, Rob.-Winona acariciou seus cabelos.
-Eu não posso mais esconder.Não há mais como esconder...A verdade... É que eu...Eu...Amo você.Estou perdidamente apaixonado pela minha melhor amiga.Pronto!Desabafei –Robert observou-a.-Eu tentei me manter quieto,não queria interferir.Foi assustador quando descobri isso,e ainda mais quando percebi que não suportaria ver você nos braços de outro.
-Rob,por que nunca me contou? – Winona estava corada.
E então o rapaz sorriu.
-Sua amizade é valiosa demais para mim, não queria te perder, preferia sofrer sozinha ao ser desprezado por sua pessoa.
-Rob! –Winona esgasgou.-Sabe que jamais faria algo assim! –Estava ofendida.Porém sorriu ao ver o rapaz corar. – E não deveria ter demorado tanto. –Retrucou maliciosa.
-O que?! – A perplexidade do jovem era tão grande, que chegava a ser hilário.
-Dessa forma não teria gastado todo o meu dinheiro nos preparativos para depois cancelar o casamento.-Winona piscou o olho direito, e sentiu vontade de rir quando a expressão do rapaz passou do susto, a confusão, e logo a extrema felicidade.E o rapaz acabou dispersando-a ao se jogar em cima da noiva.
-Desde quando?! –Robert perguntou surpreso.
-Desde que pus meus olhos em você, sentado sozinho no canto da biblioteca.-Ela sorriu carinhosamente recordando o dia.-Sempre te amei.
-Mas e o Jhonny? –Robert, apoiava as mãos no chão, uma em cada lado do rosto de Winona.
-Você nunca demonstrou nada, então aceitei o pedido dele porque acreditei que nunca teria uma chance com você.-A moça deu um tapa no ombro de Robert.-Você escondeu muito bem! – E em seguida, o puxou para um suave beijo.
Minutos depois deitados na grama segurando as mãos, sorriam feitos bobos por descobrirem o amor.
-Quem ia acreditar...-Robert riu.
- Em nós? –Winona o encarou.
-Não! Quem ia acreditar, que eu teria coragem de tirar uma noiva da igreja para conversar e atrapalhar o teu casamento com aquele idiota, que ficou com a cara mais idiota ainda depois de ver o que eu fiz.-Comentou, para logo depois ouvir Winona soltar uma gostosa gargalhada.

      Pauta escrita por Jessica,especialmente para o projeto Bloínquês,para a 54ª Edição Visual.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Diga xiisss!

No subúrbio de Londres, vi um pequeno jovem embrulhando o pacote de jornais prestes a ser entregues. As notícias corriam, e num bairro tão pequeno era como se o próprio vento estivesse sussurrando as novas.
Sim, eu sabia quais eram as novas, eu podia ver nitidamente minha foto nos jornais.Quem poderia imaginar que aquilo ia acontecer comigo?! A garota mais sensata da família, pega em uma brincadeira.
Na semana anterior foi o início das aulas na faculdade, e como é de costume os veteranos sempre fazem brincadeiras com os novatos, mas eu tinha esquecido deste detalhe.Tudo decorria com a maior tranqüilidade, e já estava no quarto da minha “nova casa /escola” ,até que uma das meninas mais velhas teve a brilhante idéia de economizar água,e nos aconselhou –as novatas – a tomarem banho juntas,de duas em duas.
Algo normal, não havia o que esconder somos todas mulheres, e então com as roupas separadas, entrei no chuveiro acompanhada de uma nova amiga, estava constrangida, enquanto ela parecia estar alheia ao que acontecia.Em um determinado momento, enquanto esparramávamos sabão pelo corpo, voou sabão para todos os lados e no minuto seguinte não enxergávamos nada.Tentei puxar a toalha, mas no desespero ela parecia estar longe demais, e a água que escorria não estava fazendo nenhum efeito, até que ouvi um som estranho,assim como um Clic! E um clarão rompeu o ambiente.
No dia seguinte,a notícia estava em todos os jornais da escola e da cidade. A água que caia do chuveiro havia sido modificada e lá estava eu toda azul com os olhos fechados e boca aberta. Graças a Deus tiveram a sensatez de colocar apenas do pescoço para cima.
Sabe o filme Avatar? Foi baseado em mim.Que mico!



Texto escrito por Jessica,especialmente ao Projeto Bloínques,para a 52ª Edição Conto/História.

Meu querido inimigo

  Caro inimigo,

Hoje, estou a lhe escrever para que entenda meu ponto de vista, levou um certo tempo, mas sinto que hoje posso finalmente expressar o que sinto com clareza.
Desde aquele dia, em que, nossos olhares se encontrarão, o destino foi traçado.
Uma descarga elétrica atingiu meu corpo com força e era possível notar que você também estava sentido aquela sensação.Uma sensação nossa.Apenas, nossa.
Lembro-me muito bem, você desviou o olhar do meu sorrindo com escárnio, desde aquele dia sempre me perguntei “O que há com ele?”, mas era um jogo, e eu precisava dar uma resposta à altura, e desprezando-o dei-lhe as costas seguindo meu caminho.
Afinal, quem era o culpado?Mal nos conhecíamos.E você simplesmente chegou como se fosse o dono do pedaço ofendendo pessoas que nunca sequer, lhe fizeram algum mal.E essas pessoas estavam comigo.Talvez, eu tenha exagerado na minha reação, quando andei em sua direção, mas você também não tinha o direito de falar sobre as roupas ou acessórios que usamos.Gosto é gosto.Os dois eram culpados.
E então, dias atrás dias as intrigas cresciam, até os estranhos conheciam nossa rivalidade e sempre esperavam por algo quando esbarrávamos no caminho.Mas por que todo aquele ódio, todo aquele desgosto.Fora uma simples briga que já havia passado.
Minhas amigas costumavam responder que eram os mistérios da vida, eu concordava, mas atribuía-lhes a opinião de que isso poderia vir de outras histórias, vidas passadas.Você acredita nisso?Seja o que fosse, davam os ombros e em seguida surgia assuntos banais do dia.
Não suportava olhar seu rosto, e sabia que sentia o mesmo por mim.Mas algo no fundo, no qual eu nunca soube explicar, machucava quando você me encarava com frieza, e eu tentava inutilmente apagar aquela dor ou solidão que acariciava a minha pele.
Éramos fantoches nas mãos do tempo, nas mãos do destino.Que puxava aquela corda invisível e nos enviava aos lugares mais improváveis, onde justamente nos encontraríamos, e então começaria aquela guerra de palavras e miradas cheias de desprezo.Fosse na escola, no parque, nas excursões, até mesmo no shopping. Um imã constantemente nos atraía para depois, com palavras ferinas nos repelirmos para longe.
Em outros momentos, repreendia-me ao pegar-me lhe observando, vendo-o rir com seus amigos, e algo lá no fundo pulsava.Ciúmes?Ou apenas desejo de estar ao seu lado, rindo e contando piadas, e depois me deixar ser abraçada e receber um suave beijo na testa.Logo, a realidade voltava e era nítido à distância entre nós, vivíamos em mundos diferentes.Muito diferentes.
Por vezes ou outra sentia que você me observava, mas estava crente que era apenas frutos da minha imaginação, e então me assustava quando alguma colega sussurrava em meus ouvidos que você estava lá, encarando.Você queria o mesmo? Acabar com toda aquela rixa?Pois bem, eu queria, só que o orgulho e o medo de rejeição sempre falaram mais alto.E depois disso tudo, sem que notássemos, nossos laços cresciam, junto com intrigas, mas cresciam.Era estranho imaginar que poderíamos criar uma união desde desavenças, e a verdade foi confirmada quando precisamos nos apoiar um no outro nos momentos mais difíceis de nossa vida.Um segredo que ficou entre nós, ninguém precisava saber que confraternizamos com o inimigo.
Diga-me querido inimigo, por que toda essa intriga?
Poderíamos ter sido amigos.No entanto, se eu não o tivesse como inimigo, de onde tiraria a coragem que você me ensinou a ter ao enfrentá-lo? Quem ensinaria que no mundo a língua precisa ser afiada constantemente, senão você? Como conquistaria a confiança de outras pessoas, se não houvesse você, para que eu as defende-se ou ao contrário? Sim, você me ensinou a crescer, a ver o mundo com outros olhos.Você inconscientemente se tornou meu porto seguro e eu o seu, por que era ali que descarregávamos nossas iras, tristezas e solidão. Éramos a única verdade na vida um do outro, por que sabíamos, aquela raiva era verdadeira.Diferente de muitas amizades ou sentimentos.
Talvez não fosse ódio, sim por que ódio era algo fatal –que consumia a vida-, talvez um recalque.Bem, eu admito, nunca realmente, o odiei.E sinto que você também não.
Só pagamos pelo preço.Amor se paga com amor.Desprezo se paga com desprezo.Ódio com ódio.
Por isso volto a lhe dizer, poderíamos ter sido amigos.E somos, inconscientemente, mas somos.E lá no interior, bem guardado, quem sabe...Amantes.Por que o ódio e o amor são divididos por uma fina linha.
Apenas não esperávamos por isso, criar laços, afinal, quem poderia dizer que até mesmo os sentimentos ruins geravam laços.

 De sua eterna inimiga.


Texto escrito por Jessica,especialmente ao Projeto Bloínquês,para a 29ª Edição Cartas.
                           

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

À te esperar...

              
O sinal da escola soou tão claro que por pouco não caiu da cadeira quando foi despertada de seus devaneios.Branca andava muito distraída. Isso era fato, sempre presa em seu próprio mundo encoberto de dúvidas e tristezas.Seu silêncio era tão inquietante, que até mesmo professores não ousavam tirar-lhe daquele mundo obscuro.Mas o que tanto a distraia?
Branca arrumou seu material e despedindo-se dos colegas pôs-se a caminhar para fora do colégio.Dia de verão, a brisa morna remexia seus cabelos trazendo consigo um aroma no qual apenas Branca era capaz de sentir.
Respirando fundo, ajeitou a alça da mochila e perdeu-se no meio da multidão.Não costumava usar transportes, gostava de caminhar, fazia bem a saúde.Com o mp4 preso ao seu bolso, ouvia músicas que partia desde as românticas "We belong together" ao dark "Anything for you",cantarolava enquanto seguia a trilha tão conhecida.Porém, nada disso era capaz de apagar aquela tristeza, aquela ferida em seu coração.
Marcos, seu companheiro, seu melhor amigo e, secretamente seu amor havia partido.Seus pais receberam uma proposta de emprego irresistível, levando todas as brincadeiras e lembranças de outrora.Se fosse de uma cidade a outra seria mais fácil visitar, mas não; precisava mudar de pais? Califórnia!!!!
Pausou seus passos e parou de fronte ao cenário onde tudo começara, uma pequena ponte, envolta de árvores.Quando criança adorava ver os peixinhos e por pouco não se afogou. Seu herói estava lá e desde aquele dia não se soltaram mais.
Uma fina lágrima escorreu de seu rosto, Branca prontamente apagou qualquer vestígio.Não choraria mais, havia prometido que seria forte.
"Eu vou voltar. - ele disse. - Você me espera?" - Marcos abraçou-a carinhosamente.
"Sempre " – respondeu ela.
E como prova disso, juraram que aquele seria o ponto de encontro. Não importava quanto tempo levasse.Ela o esperaria, como ele fazia questão de lembrar em todas as cartas que lhe mandava.



Texto escrito por Jessica,especialmente para o projeto Bloínquês,para a 53ª Edição Visual.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Reflexos

Quando aquilo havia começado? Quando lhe entregou a aliança pedindo sua mão em casamento? Ou ponderou suas decisões enquanto estava na igreja, em frente ao padre assinando a livreta? Posso jurar que vi sua mão tremer.Mas não importa, estava apaixonada, amando e aquilo era um sinal de carinho, ele estava tão nervoso quanto eu.

E se meu marido chega e me vê com a carta?

Creio eu, nunca fui suficiente para ele.Depois do casório e a mudança, as coisas tornaram-se frias.Do rapaz romântico e divertido tornou-se um homem sério que servia apenas para trabalhar e sustentar a esposa.
Para onde os gestos, palavras de amor e desejo foram? E aquele puros olhares cheios de amor e sinceridade, no qual podíamos decifrar-nos sem palavras?Aquela amizade?
Morreu-se num poço sem fundo.

Depois acreditei que apenas uma mulher não era o suficiente.Chegava altas horas da noite dizendo que estava atarefado.Beijava-me os lábios e no minuto seguinte estava dormindo.Nem sequer pedia desculpa por ter feito esperar-lhe ou jantar sozinha, nem sequer explicava por que estava em volta de um perfume adocicado, muito incomum para homens.
Não importa.Eu estava amando,e disposta a perdoa-lo.

E se meu marido chega e me vê com a carta?

Então começou a brincadeira.Era um ritual.Todo dia as 15:00 aparecia na porta da minha casa uma carta presa a uma rosa.
Era uma forma de sofrer docemente, era uma forma de me iludir acreditando que aquelas cartas eram escritas por ele.E que a rosa representava a minha pessoa.Suave e amorosa com as pétalas, mas espinhosa e quente nas horas de paixão intensa.Ria comigo mesma lendo aqueles trechos.Porém quando foi a última vez que fizemos amor?Na verdade,acredito que depois do casamento passou apenas para o termo “sexo”.

Minha mãe e minhas amigas são minhas únicas paixões.Alertaram, mas quando se está apaixonada não se escuta e nem se enxerga.Sabia que as cartas eram escritas por elas.Eram dos meus amigos, amigas, minha família, outras até eram minhas.Tudo por conveniência.Só para fugir da realidade, me sentir amada, e por que não criar ciúmes.Apenas para esconder aquele buraco no meu peito.

Não importa, eu já estava magoada.O fogo da paixão já estava sumindo.

E se meu marido chega e me vê com a carta? 

Talvez entenda o quanto estou carente e venha se redimir dizendo o quanto precisa de mim e que não suporta imaginar a vida sem a minha presença, que se arrepende por não me dar a devida atenção, mas que a partir daquele momento sou sua vida.Ou talvez venha furioso, xingue, grite, quebre objetos e vai-se embora sem olhar para trás.Não importa, a paixão acabou á muito tempo.



       Texto escrito por Jessica,especialmente ao Projeto Bloínquês,concorrendo a 51ª Edição conto/história.
 

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